Construtores debatem em São Paulo possíveis causas para o desplacamento cerâmico

July 28, 2019

 

Construtores brasileiros têm enfrentado, nos últimos dois anos, um desafio: descobrir a causa dos frequentes e inexplicáveis desplacamentos cerâmicos, que ocorrem em pisos e paredes internos de imóveis novos, os quais muitas vezes nem foram entregues aos clientes. A patologia suscita diversas hipóteses no meio técnico e elas envolvem desde a qualidade dos materiais (placas cerâmicas e argamassas) até problemas com o assentamento (mão de obra). Nenhuma delas, porém, foi tomada até agora como causa do problema.

 

Para tentar encontrar respostas ao problema e reduzir as ocorrências, o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) realizou no dia 28 de julho o workshop Desplacamento Cerâmico, que lotou o auditório do sindicato (170 lugares) e foi assistido por mais 130 inscritos de várias partes do país via internet. Na abertura, o engenheiro Yorki Estefan, coordenador do Comitê

de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP, foi enfático: "Esse é o maior fenômeno de patologia de que tenho conhecimento desde que comecei a trabalhar na área". E conclamou: "Precisamos ter segurança de que as patologias não existirão nos próximos empreendimentos que vamos entregar".

 

Um levantamento da empresa Neoway/Creactive com 87 construtoras (76% atuantes em São Paulo) indicou que cerca de 20% das empresas entrevistadas tiveram obras com ocorrência da patologia. Do ponto de vista da placa cerâmica, os acontecimentos envolvem nove fornecedores diferentes; já as argamassas usadas nessas obras problemáticas dividem-se igualmente em ACI e ACII.

 

Convidado a integrar a mesa, o engenheiro e especialista Gilberto Cavani levantou uma série de questões que precisam de respostas: "O problema acontece com todos os tipos de placas? Houve mudança na argamassa? A técnica de assentamento mudou? A resistência de aderência era insuficiente ou foi consumida?". Ele observou que em todos os casos ocorre uma elevação da expansão por umidade (EPU) das placas e sugere que as peças sejam ensaiadas assim que chegarem na obra.

 

O engenheiro Fábio Villas Bôas, coordenador do Comitê de Meio Ambiente e membro do Comitê de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP, relatou a experiência de sua construtora com o problema: "Em setembro de 2014, tivemos alguns casos isolados e levantamos a hipótese de que o problema era o tempo em aberto na fase de aplicação; em maio de 2015, o problema estava generalizado e entendemos que o tempo aberto pode ter alguma influência, mas não pode ser determinante para o problema". Segundo ele, "100% das ocorrências ocorreram com cerâmicas produzidas via seca em diferentes substratos, como blocos de concreto, emboço e drywall". A empresa, de acordo com Villas Bôas, irá investir cerca de 500 mil reais em ensaios e instalações especiais para estudar o problema.

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